sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

II

Encaminhei-me para o meu escritório onde passei o resto do dia a trabalhar no meu projecto actual. Um tipo cheio de papel propôs-me arquitectar uma casa auto-sustentável, uma coisa quase utópica, mas realizável para quem tem dinheiro para investir neste tipo de projectos. Estava concentrado na minha tarefa, mas aqueles instantes que nos distraímos connosco próprios e perdemos o raciocínio, ela vinha-me à cabeça, e custava-me concentrar-me novamente no projecto.

O telefone tocou, era o Tiago, meu “tropa”, como se costuma dizer.

- Puto, queres ir jantar ao Bairro?

- Pode ser, a que horas?

- Vou aí buscar-te ao escritório quando saíres.

- ‘Tão vá, até logo.

As horas passavam, e ao fim do dia já tinha um esboço muito primitivo daquilo que pretendia apresentar ao meu cliente. Ás cinco horas em ponto, recebi uma mensagem do Tiago a dizer que estava à minha espera. Desci, e encaminhamo-nos para o Bairro Alto. Durante o caminho contei-lhe que tinha conhecido uma gaja, boa por sinal, que me tinha cativado a atenção. Estacionamos o carro no Largo de Camões, e vi-a.

Ali estava ela, sentada, com cara de quem estava à espera de algo ou de alguém. Não sabia bem o que fazer, se lhe falava ou não. O Tiago foi ter com ela, entregou-lhe um saco de erva .Eu segui-o, e cumprimentei-a.

- Mas vocês conhecem-se? – Interrogou-se.

- Este boi é dos meus melhores amigos.

- Interessante. Bem, adeus. – E vimo-la desaparecer por entre os putos que la estavam, sentados, a fumar ganzas e a rir. Coitados. Fumar para terem aceitação social. Quando comecei a fumar talvez tivesse sido por isso. Depois ganhei-lhe outro gosto. Prefiro fumar em casa. Descansado da minha vida, sem ninguém ter que saber. Imagine-se: um arquitecto que fuma ganzas. Não, não me podia dar ao luxo de expor a minha vida a esse ponto.

- Esta é a gaja que te falei à bocado. – comentei.

- A Leonor? Sabes porque é que nunca te apresentei esta gaja? Porque já te conheço. Já sabia que ias ficar todo maricas quando a conhecesses.

- E que mal tem?

- O mal é que esta gaja não é boa dos cornos. Tem as ideias atrofiadas, sabes?

- Drogas?

- Sei lá se é drogas. Ela é porreira para saíres e manteres dois dedos de conversa e mais nada. Ela é tipo uma Medusa, ‘tas a ver?

- Não, explica-te.

- Ela é daquelas gajas que consegue tudo o que quer, e não olha a meios para atingir os fins. Se tiver que magoar meio mundo só para se sentir menos miserável, ela ‘tá-se a cagar, percebes?

- Percebo, mas continua.

- Lembras-te daquele gajo que andou comigo na Faculdade, o Fred?

- Um gajo que era da Covilhã?

- Exactamente. Andou metido com ela dois anos e tal. Namoravam e parecia ser uma coisa séria, já metia pais e tudo. E ela dum momento para o outro disse-lhe que não precisava mais dele. Mandou o gajo foder-se, basicamente.

- E isso faz dela maluca dos cornos?

- A cena fodida é que ela faz isto a qualquer tipo que conheça. Já o fez com mais. Primeiro tenta que eles se apaixonem por ela, depois usa-os, e deita-os fora.

- Espera lá, não é isso que tu fazes?

- Não. Eu gosto de andar a comer aqui e ali mas nunca permito que ninguém se apaixone por mim. As minhas paixões são tipo yogurte, têm prazo de validade, e quem se mete comigo sabe disso. Não te metas com ela Ivo. As gajas conseguem ser fodidas. Ainda pra mais a Leonor. A gaja é podre de boa e não tem problemas nenhuns em usar isso a seu favor.

- ‘Tou-me a cagar. Que mal é que ela me pode fazer? É só uma gaja. É só mais um miserável ser humano.


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Tal como escrevi no facebook, eu não ligo muito ao Natal, principalmente porque não tenho quaisquer tipo de crenças cristãs, e bem, o Natal é uma tradição cristã. Além disso, segundo o que sei e o que está disponível na internet, e cito "O Natal ou Dia de Natal é um feriado comemorado anualmente em 25 de Dezembro, que comemora o nascimento de Jesus de Nazaré",contudo, de acordo com os meus conhecimentos (e corrijam-me se estiver errada), Jesus nasceu em Março. Logo não faz sentido festejar o nascimento de cristo em Dezembro.

O Pai natal até pode ter existido, mas foi altamente explorado pela coca-cola e outras coorporações para nos lembrar que temos que ser materialistas. Não desejei um Bom Natal e ninguém de uma forma oficial, porque o "espirito natalicio" é aquilo que eu chamo sermos humanos. Não curto daquelas pessoas que em dezembro dão numa de bons samaritanos. My friends, é pa ser assim o ano inteiro, não é só quando os centros comerciais estão decorados.

JÁ para não falar do dinheiro que se gasta em iluminações/montagem e compra de material para decorar casas, ruas, centros comerciais, que secalhar, por cada distrito ainda dava para por algumas crianças com uma educação como deve de ser ou até ajudar familias mais carenciadas (porque se querem fazer isso apenas no Natal, ao menos façam-.no).

Contudo, vamos entrar num ano novo, vamos passar por novos desafios e novas mudanças.

A todos, que entrem com o pé que vos der mais jeito, entrem mas é de cabeça erguida e com uma enorme bebedeira em cima, que eu amanhã também vou tar de ressaca.

Um abraço e boas entradas, mon cherries.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Vim aqui escrever provavelmente a minha última mensagem.
Abraço a todos.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Eternal Sunshine Of The Spotless Mind

Realização: Michel Gondry
Interpretação: Jim Carrey, Kate Winslet, Elijah Wood, Kirsten Dunst
Ano: 2004

Joel (Jim carrey) fica chocado quando descobre que após o rompimento da sua relação com Clementine (Kate Winslet) esta decidiu recorrer a uma agência para apagar (literalmente) todas as memórias que possuía dele. Revoltado, decide recorrer à mesma agência para destruir todas as recordações que possuía com Clementine. Mas é quando Joel revê os bons momentos que ambos passaram que se arrepende, e começa a procurar uma forma de evitar que estes sejam apagados.
Logo quando nos são apresentadas as personagens principais podemos ver que não estamos a presenciar um romance normal. Joel e Clementine estão longe de serem perfeitos como os amantes de romances cliché. Joel não é confiante de si próprio e mostra-se pelo filme inteiro como alguém tímido e reservado em todos os aspectos, desde a sua forma de se vestir até às suas atitudes. Clementine, pelo contrário, é extrovertida e descarada. Enquanto Joel transmite um certo medo que notem nele, Clementine tem como hobbie pintar o cabelo de cores vivas. Ela não é especialmente atraente, e apresenta uma personalidade algo complicada e impulsiva. Nem estes são sequer perfeitos um para o outro, aliás, são as suas diferenças que geram em vários momentos do filme um choque de personalidades. As duas personagens estão repletas de imperfeições e defeitos e é isso que as torna humanas e identificáveis.



É essencialmente um filme sobre recordações e sobre o amor, invocando-o de formas distintas e olhando para o sentimento sob vários pontos de vista. Sendo assim, o filme jamais poderia se focar exclusivamente no romance principal, possuindo também algumas narrativas paralelas a esta. É possível que os arcos narrativos secundários aborreçam de alguma forma quem pretende ver apenas o romance entre Joel e Clementine, mas estes são essenciais para a conclusão do filme em si.
Eternal Sunshine é um filme poético e um hino á beleza da imperfeição humana. Obviamente, são mais aqueles que preferem assistir a um romance com amantes perfeitos e amores infalíveis do que observar personagens banais a enfrentarem problemas vulgares, por isso não é um filme que agrade a todos. Para além disso, a narrativa não é linear, chega a ser abstracta e psicadélica em alguns momentos, algo que nem todos os espectadores estão dispostos a aceitar.
Algo que deve ser notado para além disto, é sem duvida a banda sonora, sendo soberba e encaixando perfeitamente com cada momento do filme.

Quanto ao elenco não ha muito a dizer: Kate Winslet e Jim Carrey desempenham os seus papeis de forma soberba, e outra coisa não seria de esperar.
Eternal Sunshine of The Spotless Mind não é um filme para nos entreter, mas sim para nos fazer pensar. Coloca-nos questões como “Se pudéssemos apagar certas memórias, seria isso o melhor para nós?”

.João Miranda

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Acabou

Há certas pessoas que, NESTE MOMENTO, a meu ver não merecem sequer que eu me digne a ouvir sequer o que eles me têm para dizer.
Falam e falam do que não conhecem. "Aí esta agora anda metida numa seita"
Foda-se. Ainda por cima pessoas da minha familia.
Digo e volto a dizer, têm cús grandes demais para as calças que vestem.
Ora, "riem-se de mim porque sou diferente. Eu rio-me de vocês porque são todos iguais".
É pena que na minha família, massa gorda não seja sinonimo de massa cinzenta. Antes pelo contrário.
Tá uma pessoa ali a morrer, a recuperar duma puta duma operação com os olhos feitos em sangue, com três dentes do ciso a nascer e uma dor de cornos daqui ao Senegal e insistem em enervar essa pessoa. Com que objectivo? Epá não sei, talvez alimentar um bocadinho o ego.

Envegonha-me ter que pensar sequer que sou humana às vezes. Um ser que consegue ter tanto de inteligente, como de estúpido.

Conclusão: Acabou-se o bom senso da minha parte. A partir de agora, com todo o respeito aos meus pais e aos meus avós, vão levar respostas bem directas e para deixarem de meter nojo, deixarem de espicaçar em tudo o que é jantares, e deixarem de meter o bedelho onde não é suposto. Pode ser que comecem a ter noção do rídiculo e noção que não se fala daquilo que não se conhece.
E um dia, ainda vou sair de casa de um familiar e dizer:
MAMEM-ME TODOS O CARALHO!



Sou feliz por lutar aquilo em que acredito e não sou hipocrita ao ponto de falar das coisas que vejo na televisão como um dado certo.
Ás vezes questiono-me se não serei eu a estar errada, visto que o contrário significa metade do mundo estar ao contrário.


P.S. - Tive mesmo que escrever isto aqui, porque pode ser que "alguém" leia isto e se inteire







quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

My eye

Ando a descobrir coisas fantásticas sobre os meus olhos. Primeiro, tenho visão de piloto de avião (120%). Depois, ando a verter lágrimas amarelas flourescentes. O meu olho parece uma festa de trance.


Não tenho pachorra para escrever.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Amanhã

Vou começar a ter uma visão completamente diferente do mundo.








































































Vou deixar de ter meopia.



lol.pwn

'O sol brilhava com tanta força quanto o seu sorriso.




Depois o ceú ficou nublado.
Tudo ficou cinzento. Sem brilho.
As trevas tomaram posse do espírito dela, e tomaram posse de mim também.



Já não vejo nada. Está tudo escuro agora.
Só consigo ouvi-la a chorar ao longe. Ecoa, pois o seu espírito é grande.'


Ninguém é sobre-humano. Os humanos sentem. Logo, todos sentimos.
Uma coisa é não querer, não ter vontade de. Outra, completamente diferente, é não ter a capacidade de.
Se não tivermos vontade de não temos capacidade de.
Logo, somos capazes daquilo que tivermos vontade de.
Logo, deixem-se de tretas á Dr. House, ou pelo menos entendam a personagem como ela é (podia descrever o que esta personagem representa MAS ia-me dar muito trabalho) e não como voces queriam ser ou gostassem que fossem.
Mas já agora, se eu tivesse que imitar alguém de uma série para os outros pensarem que eu era fixe e que tinha muita experiência de vida ou assim, imitava o Deus Barney Stinson.







terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A Ressaca

A ressaca é um estado de espirito, na minha opinião.
Podemos estar literalmente de ressaca, devido ao alcool e afins, e podemos ressacar de algo, ou de alguém. O que é certo é que os Virgem Suta conseguiram dar "vida" a esse estado, que vou examinar:

Acordo enroscado numa manta velha

Ressalta o dia na janela do meu quarto - Tipico: acordamos com uma dor de cabeça tal, que parece que a cabeça tem 4 vezes o seu tamanho real. Olhamos para a janela, e até dói, tanta claridade.
O leite está estragado não á pão que valha
Um mero olhar de esfomeado que a ressaca apára -
O ressacado acorda sempre com fome, mas, das duas uma: ou tem perguiça para fazer comer, ou não tem nada. É aqui se dá aquele fenómeno humano em que abrimos a porta do frigorifico 5x, na esperança que apareca lá algo que nos apeteca (quando já sabemos de cor o que o frigorifico tem)

O corpo não reage o pensamento amargo
A segura da rouca procuram o fado
A pele encartilhada é desfeita aos poucos
Por mais que me arrependa fasso ouvidos moucos -
E ficamos assim, apáticos, sentados no sofá, parece que só a mente trabalha (com muito custo), não nos apetece fazer nada, a boca está seca, e tudo o que comemos é empalagante. Depois vem a parte em que nos lembramos do que consumimos a noite passada e o nosso corpo arrepende-se, pede descanso e pede "não faças mais isso", mas como a vida é uma festa, próxima festa, lá está o vinho a escorregar pela garganta. Fazemos ouvidos moucos porque gostamos de sentir o alcool a correr-nos nas veias.

Esta ressaca já me dura á três dias
Por mais que tente não me consigo curar
Tenho um remédio que é segredo já antigo
Uma cerveja acho que vai ajudar
Com o que é que se cura a ressaca? Com bebida, pois claro que sim!

Descanso peso morto num sofá deitado
A dor corrói as pernas magras deve ser cansaço
O barulho da rua dá comigo em louco
Tosse seca é só catarro tou a ficar rouco -
Pétaculo

Isto nem sequer precisava de comentários, porque ilustra perfeitamente "A ressaca". Eu tenho poucas ressacas como estas, mas quando as tenho, passo o dia inteiro a pensar em assuntos inúteis. É que vamos do 8 ao 80. Primeiro estamos muito alegres (estado bebado), depois parece que atraímos todas as energias negativas e ficamos ali, impávidos, a sofrer de uma maneira particular.

Neste momento estou a ressacar. Não literalmente. Estou a passar por um processo de desintoxicação cultural e social. Vários dos meus eus estão a ressacar por determinados assuntos que outrora completavam a minha vida. Assuntos fúteis e banais, que agora vejo nada contribuem para a formação do ser. Mas esta não é uma ressaca como as outras, porque consigo ter mais pensamentos positivos, porque vejo que os meus ideais de outrotra não estavam tão certos como acreditava.

Porque nada está errado.


Deixo aqui um pdf que acho interessante para quem quiser ler.

  1. www.gnoses.net/livrossamael/tratadodepsicologia.pdf - Atenção, tem que ser lido aos poucos e, mais que uma vez se for preciso.


domingo, 12 de dezembro de 2010

Desordem Civíl

- Isto éuma metáfora -

A -Tenho uma pedra no sapato, sabes? Já tirei o sapato três vezes e não caí nada. Mas eu sinto-a lá.
B - Então mas doí-te?
A - Não me dói, mas incomoda-me. É desconfortável. Arrelia-me senti-la ali mesmo, mas depois não a conseguir tirar.
B - Habitua-te, daqui a meia hora já nem notas a diferença, vais ver.

- Isto é uma metáfora -

Btw, esta semana reparei que tenho visitas num numero considerável ao blog, não sei porque desconfio da veracidade das estatísticas do google. Não creio que tenha aquela média de visitas diárias. Ainda assim, gostaria de agradecer a todas as pessoas que se dão ao trabalho de ler e acompanhar a minha desintoxicação mental.
Nunca fiz isto por ninguém, mas agora faço isto por todos, na esperança que alguém se possa identificar com o que eu escrevo, ou até para eventualmente poder abrir os olhos a alguém ou até ser chamada à atenção por alguma baboseira que escrevo.
O que é certo é que me mostro aberta a discussão, seja sobre o que for.

www.facebook.com/AnaLeash
(não vou deixar aqui o mail, mas deixo o faceboobs, que é uma boa ferramenta de comunicação e divulgação)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sexta-feira.

E quando o mundo caí aos nossos pés?
E quando tudo o que fazia sentido deixa de fazer?
E quando o que tu consideravas uma realidade, de repente deixa de fazer sentido?
E quando a verdade não passa de uma mentira mascarada?
E quando os teus valores e principios te começam a parecer distorcidos e desactualizados?
E quando tudo aquilo que te ensinaram não te parece correcto?
Quando toda a tua identidade te falha?

Apetece-me sair à rua e gritar. Acabar com as minhas guelas. Apetece-me dar uma chapada e um abraço a todos os que encontrar.
Apetece-me correr, andar, saltar, parar, escutar, observar.
Apetece-me estar quieta e sossegada, mas sinto-me hiper-activa. Ou então, apetece-me mexer, mas sinto-me cansada. É isso. Sinto-me excessivamente cansada.
Gosto de pensar em tudo. Gosto de descobrir, de saber. Mas quanto mais sei, quanto mais me consciêncializo, menos quero saber. Quem quer saber desta sociedade demente, corrupta, escrava de si mesma?
A ignorância é um dom. A ignorância não faz tar cansados. A ignorância não nos faz pensar, não faz doer.
Ou não. A ignorância não nos trás o verdadeiro significado da palavra felicidade, que todo o ser humano busca.
Ora, não é a ignorância, não é o dinheiro. É a "consciência infinita". E daqui, cada um retira aquilo que a sua consciência lhe permitir.



quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

I

Conheci-a no dia dois de Dezembro de 2010. O meu carro tinha avariado naquele dia de manhã. Saí do metro e puxei um cigarro. Tinha-a fitado a inteira viagem. Tinha um aspecto único, a sua atitude amontoava pormenores. Vi-a procurar por algo na mala, enquanto segurava um cigarro com os lábios.

Tirou o cigarro da boca e exclamou:

- Foda-se!

Não se apercebeu que eu estava ali. Olhou para mim e, timidamente sorriu. Eu retribuí o sorriso.

- É um isqueiro que queres?

- É. Perdi o meu.

Dei-lhe o isqueiro. Ela inclinou a cabeça, olhou seriamente para a ponta do cigarro, levou-o aos lábios. Escondeu-se do vento. Pouco depois já se podia vislumbrar fumo a passar entre os seus cabelos.

- Obrigada – Disse, enquanto me devolvia o isqueiro. Encaminhou-se para um café, do outro lado da rua. Resolvi segui-la. Senti-me um stalker, mas algo nela me despertava interesse. Tinha o cabelo da mesma cor que a casca dos sobreiros. Os seus olhos, eram compostos por um cinzento vivo. Ela sentou-se numa mesa sozinha, ao canto. Tinha um olhar aborrecido. Aproximei-me dela e perguntei-lhe se me podia sentar ali. Ela sorriu para mim.

- Claro que sim. Já que vou precisar do isqueiro novamente. Aqui estão esgotados.

- Fica com este. Tenho outro aqui.

- Não é preciso, já compro outro. Mas obrigada na mesma.

- Sou o Ivo. E tu?

- Leonor.

De repente, senti-me projectado para um filme ou série televisiva. Começou a tocar a música dos Beatles “Lucy in the sky with Diamonds”, na minha cabeça, e formava-se todo um cenário idílico naquele café.

Aproximou-se um empregado da mesa. Serviu-lhe um café. Pedi uma água das pedras.

- Azia logo de manhã?

 

Sample Text