Está história é baseada em factos fictícios.
A - Vendi a alma.
B - Também me perguntaram se a queria vender. Vendeste por quanto?
A - Ainda foi algum dinheiro, fiz um bom negócio. Estou seguro que tomei a decisão certa.
B - Mas ainda podes voltar atrás, agora. Tens a certeza disso?
A - Claro que tenho. Já viste no que tenho em frente agora?
B - Sim, mas estás disposto a perder a tua essência por isso?
A - Estou. Agora é a decisão mais adequeada a tomar e é o caminho mais correcto. Não me vejo de outra forma.
B - E como é que te sentes?
A - Normal. Mais rico, mais livre. Vende a tua também.
B - Não, não tem preço.
A - A minha também não, mas eu tive que o definir.
B - Mas és feliz assim?
A - Agora sou.
B - Essa felicidade vai ser efémera.
A - O que me interessa é o agora.
Um sorriso malicioso percorria-lhe todo o rosto enquanto proferia estas palavras.
Não foi capaz de dizer mais nada. Virou-lhe as costas pela primeira vez e julgou ser feliz. Ele tinha muito que viver, e ela que o deixasse em paz.
Ela caiu, á medida que ele lhe virava as costas, e lá ficou durante toda a noite. Lentamente, foi ganhando forças e subiu.
Passado alguns anos, as mesmas pessoas reencontraram-se. Tinham ficado anos sem saber nada uma da outra.
B - Então, ainda és feliz?
A - Não. E tu?
B - Faço por isso.
A - Não te queria dar o gozo de dizer que tinhas razão.
B - Razão em quê?
A - Que me ia arrepender de me ter vendido. Queria poder voltar atrás. Queria-me ter apercebido que no dia em que vendi a minha alma, vendi também a minha felicidade, e deixei-a ir-se embora. Agora é tarde. Nunca vou ser feliz. Tu podias-me ajudar a tentar recupera-la. Sabes que és a única pessoa capaz disso.
B - Tu vendeste-a. Puseste-lhe um preço alto demais, é impossível.
A - Não é, eu sei que tu me consegues ajudar.
B - Como tu me ajudaste a mim quando te vendeste?
A - Desculpa.
B - Eu desculpo, mas o preço que tens que pagar é este mesmo. É viver o resto da tua vida sabendo que te vendeste, e que meteste um preço na tua felicidade, que erraste. E aí, nem eu te posso ajudar.
Ele deixou cair uma lágrima lentamente enquanto as palavras que ela proferia lhe ecoavam pela mente.
Não foi capaz de dizer mais nada. Virou-lhe as costas como tantas outras vezes e continuou a ser miserável. Ele não a merecia e o melhor que tinha a fazer era deixa-la em paz.
Ela permaneceu estática, á medida que ele lhe virava as costas.
Pela primeira vez julgou ser mais livre e feliz do que qualquer outro ser.
Terça-Feira, Dez de Agosto de 2010
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