quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ontem, Hoje e Amanhã!

"...
Uma luz sinuosa iluminava tenuemente a rua. Conseguia quase ver por completo o seu rosto, o cabelo cobria-lhe parcialmente a testa. Dirigi-me a ele:

- Ficaste-me a dever a little something.

- Tens razão - Disse, afastando delicadamente o cabelo despenteado da minha face. As suas mãos estavam ásperas e geladas.

- A tua mãe está em casa? - Acrescentou, num tom intrigado.

- Saiu. – Respondi.

Ele cativa qualquer pessoa com o seu olhar, secreto e sensual. O Bernardo era o Homem da minha vida, o ideal para mim. Mas, por várias razões, nunca vamos poder estar juntos. Não sentia qualquer tipo de afecto mais complexo por ele. Talvez por nunca ter surgido a oportunidade de cultivarmos certos sentimentos. Por vezes, conseguia perceber que em mim surgia algo mais forte, admiração, orgulho, e talvez até amor. Mas rapidamente tudo se desfalecia e se tornava num enorme desejo carnal, ao qual obtinha mais do que uma resposta. Com ele, as relações passavam a outros níveis, já não eram meras conformidades e laços criados. Às vezes ficamos meses sem nos falar, mas basta aquele milésimo de segundo em que nos vemos, para relembrar de tudo o que aconteceu, e recapitular todos aqueles episódios que tivemos juntos. Era quase que um amor platónico, mas sem a parte do amor. E acima de tudo, era um sentimento de mútua compreensão e respeito. Queremos os dois o mesmo, sabemos disso.


..."

Billie, 2008

Um dia acordei e pensei que devia escrever um livro. Hoje apeteceu-me por aqui um excerto. Tenho pena de me fartar rapidamente das coisas, assim provavelmente hoje já o tinha acabado de escrever e já me sentia um bocadinho mais realizada. Mas eu sou assim, sou de fases, de pancadas. Não o fiz para o publicar algum dia mas apenas porque me apetecia inventar uma história. Depois então percebi que, devido a como sou, nunca vou ser capaz de escrever um livro: farto-me a meio e limitei-me a escrever textos.

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