quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Ana do Olimpo: Uma Epopeia - Capitulo I

Em tempos remotos, menos civilizados do que os dias de hoje, a humanidade estava dividida entre as forças negras e as forças da luz. De um lado, Zeus, através do seu filho Apolo, conduzia o seu exército como uma forma de manter a paz. Acompanhado pelos seus crentes e por forças da natureza, acreditava que o amor dos humanos para com os Deuses era a única coisa que poderia tornar o mundo um lugar pacifico. Do outro, vindo do interior infernal do nosso mundo, Hades, que pretendia controlar o mundo através de medo, dor, e de poder. Os seus seguidores, humanos que abandonavam a sua humanidade para o seguir, tornavam-se mais em criaturas do que pessoas. Com um poder abençoado pelo toque de Hades, destruíam tudo à sua passagem com um simples olhar. Faziam a vontade do seu Deus pois era esta a sua forma de adquirir poder e prevalecer neste mundo.

O mundo ardia com a guerra entre os deuses, os humanos, e os que lideravam os humanos servindo de elo de ligação entre as forças divinais e as forças terrestres: os semi-deuses. Esta é a história de uma semi-Deusa: Ana.

Ana, filha de Nemesis, era a mais nova dos semi-Deuses. Revoltada com a pressão de Apolo em comandar os terrestres numa guerra com a qual não se identifica, Ana abandona o Olimpo, e vira as costas a todos menos a si própria. O mundo viria a conhecer o seu nome como a mestre do controlo e manipulação. Pois Ana conseguia convencer qualquer mortal e até mesmo os próprios deuses a pensarem da forma como ela assim queria que eles pensassem. E se até um deus ela conseguia manipular só com o poder das palavras, imagine-se a humanidade à sua frente.

Ana caminhava pelas florestas de Argos, fugindo discretamente da guerra que se tinha instalado na cidade em si. Era de aparência apenas humana, não fosse os seus olhos, cor de lazurite. Dizem os poucos escribas que cruzaram o seu caminho, que os seus olhos não possuíam apenas o tom lazurite como cor, como era feitos dessa pedra.

Embora para os humanos conseguisse passar despercebida, desde que o capucho do seu robe escondesse sempre o seu olhar, já os animais sentiam a divindade dela. Enquanto caminha pela floresta, todos os animais se aproximavam para a contemplar. Esquilos, veados, pumas, ursos, corujas. Todos olhavam de forma pacífica para ela enquanto a admiravam. Um deles, um lobo de tons cinza, cativou a sua atenção. Ana aproximou-se dele, destapando o capucho do seu rosto e mostrando os seus olhos que brilhavam pela escuridão da floresta. Olhou o lobo nos olhos e ele aproximou-se de si com um ar dócil. Ana sente assim pela primeira vez uma conexão com este mundo. Deixa cair o seus joelhos ao de leve sobre a terra e acaricia ao de leve o predador, tornado dócil sobre o seu olhar. Aproxima os seus lábios do ouvido do animal, e suspira-lhe “Oh coisinha mais linda da mamã, coisinha mais linda e fofinha. Quem é perfeitinho e fofinho quem é? Sou eu, pois sou.”. O lobo recua uns passos olhando para a semi-deusa, quase como sobrevoasse, e uiva de agrado. Ana fez assim o seu primeiro e único amigo. Em memória da floresta em que o encontrou, decide baptizá-lo de Argos Putchy Alexander.

Ana segue o seu caminho, agora com o seu fiel companheiro, Argos Putchy, a seu lado. Ambos caminham, e não mostram cansaço. Passam dias, meses, sem um único minuto de descanso. Nem uma única gota de suor ousa percorrer o corpo de Ana.

O par chega a Atenas meses depois de ter abandonado Argos, a cidade em chamas.


Por: João Miranda

0 comentários:

Enviar um comentário

 

Sample Text