quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Ana do Olimpo: Uma Epopeia - Capitulo II

Atenas estava deserta. Tal não estivesse, Ana nunca teria se deslocado para lá. Eram poucos os humanos que restavam lá. Criaturas negras, Necromancers, que se alimentavam de cadáveres eram encontrados um pouco por toda a cidade. Não constituíam perigo para os mortais, visto eles temerem qualquer criatura viva.

Ana e Argos Putchy caminharam até ao centro da cidade. Ana sentou-se perto da fonte e contemplou a lua. Se existisse vida na lua, essa era capaz de observar o brilho dos olhos dela. Enquanto Ana medita, e o seu lobo fareja a cidade adentro, aparece um homem.

Corre até Ana, magro, suado, e com poucas vestimentas. Ana baixa o olhar para não se revelar.

- Até que enfim alguém novo na cidade. Diz-me, que vens tu fazer nesta cidade que há vinte anos os deuses abandonaram?

- Vim reconciliar-me com a terra que me viu nascer. – respondeu Ana.

- WTF? - perguntou o homem.

- Foda-se, atão mas és surdo?

- Nepia porquê?

- Tão mama-me o caralho.

O homem começa a praguejar. Irritada com a voz dele, Ana solta um assobio. O barulho dos Necromancers a comerem os corpos cessa. A cidade torna-se muda. De repente o som de patas a correr no asfalto. O som torna-se cada vez mais forte, e, então, aparece Argos Putchy Alexander, que salta em direcção ao homem devorando a sua cabeça numa única dentada.

Ana dá um sinal de concentimento ao lobo, e Argos começa a devorar o corpo do homem. Ana deixa-se cair suavemente no chão, ficando deitada com os braços atrás da cabeça, com o olhar sobre as estrelas e as estrelas sobre o seu olhar. “Sou tão boa”, pensa para si.

Ana tinha 20 anos, exactamente a idade em que os deuses decidiram abandonar Atenas. O motivo? Ela, e só ela. Nemesis, deusa da vingança, decidiu vir ao nosso mundo há 21 anos atrás com o mero objectivo de testar os desejos carnais, engravidando assim de Ana. Os deuses viram nisto uma prova da fraqueza presente nas autoridades divinas e decidiram assim mudar a sua politica de controlo do mundo, dividindo o Olimpo entre os que desejavam por controlo através de medo e os que acreditavam que o controlo e persuasão só podia ser feito através do amor pelos deuses. Ana foi o fruto responsável de um conflito que abrangia tudo neste mundo, mas não se podia se estar a preocupar menos. Os deuses tiraram a imortalidade a Nemesis, os homens tiraram-lhe a vida. Ana não conseguia assim sentir mais do que desprezo por ambas as partes.


Por: João Miranda

1 comentários:

tak disse...

ri-me

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